Amazônia

AMAzônia: a floresta e as mulheres indígenas

A Amazônia sobrevive a diversos processos de esquecimento e destruição. A região enfrentou diversos apagamentos — linguístico, cultural e histórico — e seus habitantes sofreram violências físicas e simbólicas que reverberam até os dias atuais. Entretanto, alguns grupos locais, como as mulheres indígenas, resistem e lutam para mudar esse cenário. Neste Dia da Amazônia e Dia Internacional das Mulheres Indígenas, a Braziliando compartilha a importância desse lugar que nos acolheu e que agora acolhe nossos viajantes, na missão de gerar outras visões de mundo e transformações positivas.

A Floresta Amazônica é a maior floresta tropical do mundo, tanto por sua extensão territorial quanto pela sua rica biodiversidade. Segundo dados do Arpa (Programa Áreas Protegidas da Amazônia), são mais de 600 tipos diferentes de habitat (terrestres e aquáticos) com cerca de 45 mil espécies de plantas e animais vertebrados. Toda essa riqueza ocupa aproximadamente 6,7 milhões de km², sendo que 60% desse total se encontra em território brasileiro. 

A importância da Amazônia é reconhecida internacionalmente e a floresta abrange cerca de 10% de toda a diversidade do planeta. Além disso, ela tem um papel fundamental para a estabilidade climática mundial, já que as intensas trocas de gases e vapor d’água que acontecem lá, fornecem serviços ambientais importantíssimos ao redor de todo o globo. É também na região que se encontra o maior rio do mundo em volume de água, o Rio Amazonas, e a maior bacia hidrográfica do planeta: a bacia amazônica. São 25 mil quilômetros de rios navegáveis!

Imagem de um rio com água escura sob um céu com muitas nuvens. No canto direito, um pedaço da floresta.
Fotógrafo: Vivek Gandhi

Algumas espécies de animais, como peixes de água doce, aves e primatas, são mais diversas na Amazônia do que em qualquer outro lugar no mundo. Quando falamos no bioma amazônico, estamos falando de 49% do território nacional (segundo o IBGE), por isso, devemos considerar que boa parte dessa biodiversidade ainda é pouco conhecida pelo ser humano.

Uma relação de troca

A floresta proporciona segurança alimentar e saúde para muitas famílias. As frutas amazônicas, por exemplo, além de auxiliarem na prevenção e cura de doenças, também oferecem nutrientes importantes. A castanha possui níveis de proteína semelhantes ao leite de vaca e a polpa de buriti possui uma das maiores quantidades de vitamina A entre todas as plantas do mundo. 

Imagem de uma mão tocando o tronco de uma árvore. Ao fundo, é possível ver as sombras de outras árvores e a luz do sol
Fotógrafa: Nathália Segato

Os povos originários fazem parte da floresta. Com um conhecimento ancestral, eles possuem um grande domínio sobre as peculiaridades do território e vêm, durante todo esse tempo, transformando positivamente a abundância e distribuição das árvores. São mais de 180 povos indígenas e outros grupos isolados vivendo neste lugar.

Mas a Amazônia também é a casa de seringueiros, quilombolas, ribeirinhos, pescadores artesanais, agricultores familiares, piaçabeiros (extrativistas da fibra da palmeira da piaçava), peconheiros (extrativistas de açaí) e muitas outras populações tradicionais. 

Ver como esses grupos aliam seus conhecimentos a seus modos de vida e contribuem para a sustentabilidade na região é transformador. Na Baré Experience, você pode vivenciar o dia-a-dia amazônico, conhecer sobre os costumes locais, navegar pelo rio, se aventurar na mata e presenciar de perto toda a beleza e riqueza desse lugar. Atualmente, a experiência está suspensa devido à pandemia, mas você pode preencher o formulário de reserva em nosso site e receber em primeira mão as atualizações sobre a retomada das atividades presenciais quando acontecerem.


A preservação da Amazônia é importante para a biodiversidade brasileira, é uma questão de saúde pública, uma preocupação mundial, uma necessidade econômica e, principalmente, uma urgência para os povos e comunidades tradicionais.

Amazônia: substantivo feminino

Somos filhas das ribanceiras
Netas de velhas benzedeiras
Deusas da mata molhada
Temos no urucum a pele encarnada.
Lavando roupa no rio, lavadeiras
No corpo um gingado de carimbozeiras
Temos a força da onça pintada
Lutamos pela aldeia amada.

Trecho do Poema de Márcia Wayna Kambeba

Hoje, dia 5 de setembro, comemoramos também o Dia Internacional das Mulheres Indígenas. Das Icamiabas, as primeiras guerreiras brasileiras, até Cunhaporanga, a jovem indígena com mais de 2 milhões de seguidores no TikTok, as mulheres indígenas são exemplo de força, cuidado e sustentabilidade. 

Antigamente, as mulheres indígenas eram vistas como geradoras e guardiãs dos mitos e das lendas, hoje, discute-se e procuram evidenciar o papel delas na luta dos povos indígenas e na preservação da Amazônia. Com mais participação nas decisões coletivas e ocupando lugares de destaque e liderança, elas são resistência e referência para outras mulheres e para sociedade. Joenia Wapichana, a primeira mulher indígena eleita deputada federal; Kokoti Xikrin, a primeira mulher cacique do povo Xikrin; Madalena Caramuru, a primeira mulher alfabetizada no Brasil era indígena; são apenas alguns exemplos de mulheres indígenas potentes.

Imagem de duas moradoras da comunidade Baré na beira do rio, trabalhando em uma superfície de madeira com alguns utensílios.
Fotógrafa: Nathália Segato

As mulheres exercem um papel poderoso no conhecimento e no uso do patrimônio florestal não-madeireiro. Suas relações com a água, com os animais e com as plantas, demonstram um cuidado com a natureza e preocupação com sua conservação. Elas não são as “jardineiras do mundo”, mas as atividades que exercem são muito próximas do conceito de equilíbrio da relação natureza-sociedade.  

Que esta data seja lembrada e celebrada como a representação da luta para que estes corpos, territórios e espíritos não sejam mais violados e oprimidos.

Mulheres Indígenas Baré

Não poderíamos deixar de homenagear também  as mulheres indígenas de Nova Esperança, comunidade parceira da Braziliando. Além de exemplos de força e cuidado, elas nos inspiram e nos ensinam constantemente.

A todas as mulheres Baré nossa gratidão por esses anos de aprendizado e colaboração. A sabedoria, determinação e alegria de vocês são transformadoras e carregam o verdadeiro significado de ser Amazônia.

Imagem de três mulheres da comunidade Baré na varanda de uma casa. Na esquerda, uma mulher segurando um bebê, no centro uma criança e à direita, uma adolescente segurando o batente de madeira azul da entrada da casa.
Fotógrafa: Amanda Magalhães

Gostou de conhecer um pouco sobre as mulheres de Nova Esperança? Você pode conhecer mais mulheres inspiradoras e toda a comunidade indígena Baré através da nossa viagem online. Leia mais sobre a Baré Connection e saiba como participar do próximo embarque.

Diretrizes do turismo sustentável

Sustainable tourism guidelines: understand them!

Quite often, when we go on a trip, we respect a regulation without really understanding its origin and the reasons for its existence. Some rules may seem trivial, yet they are the responsible for guaranteeing the respect and the sustainabilitythat have long been under threat. These precautions are even more important when visiting traditional communities, like the indigenous and riverside that welcomes Braziliando’s travelersCheck below 7 guidelines for sustainable tourism , explained and dissected, so that they will not be flouted again!

1. Do not interact with wild animals 🐍🐊🦥

For a trip to be sustainable, it is necessary that it can be reproduced over time without affecting the ecosystem in which it is done. A responsible trip requires the responsibility of the tour operator, who must not involve the traveler in activities that are harmful to nature, and also of the traveler, who must refrain from touching and feeding animals, for example.

2. Do value the local production 🇧🇷

Choose to get your travel souvenirs directly from local artisans. This way, you not only leave with a unique and special memory that has meaning to you, but also helps the community, keeping its art alive and strengthening its economy.

Handicraft from the Baré community partner of Braziliando. Picture by Nathália Segato.

3. Do not use alcohol, cigarettes and other intoxicants 🚭

Drugs can interfere with your experience and harm the community, since unconscious acts can lead to accidents and unwanted consequences. In addition, drugs can have a negative impact and a long-term effect in, generating addictions and bad habits amongst villagers.

4. Do choose longer duration journeys and travel in small groups 🛤️

It takes time to connect with people, really get to know the destination and immerse yourself in a new reality. Then, to have an authentic experience, plan your trip with enough time for a real immersion. Besides, it is preferable to travel in small groups so you can have a greater connection with other travelers and with the hosts. This attitude also helps to mitigate the negative impacts of mass tourism.

5. Do ask permission before taking photos 📸📸📸

Put yourself in the other's shoes! You would probably feel more comfortable giving your consent before being photographed and would prefer to meet the person behind the camera and know what he or she intends to do with the photo before giving your permission, right? So, in addition to always ask for permission (either for an adult or for the children's parents), take the opportunity to introduce yourself and get to know the person you want to photograph.

6. Dress yourself properly 👚

Understand how people usually dress in the destination so as not to disrespect local customs nor create barriers and conflicts. If you are venturing yourself in the forest, for example, first choose modestly over opulence. Also, have in mind that sobriety is a mark of respect and humility.

Cristiano, a resident of the community, leading travelers on a track in the forest. Photo by Nathália Segato.

7. Do respect culture and local traditions 🌚🌝

Knowing that needs and lifestyle are different, be willing to adopt the local way of life, even if this mean depriving yourself of things that are part of your society. Besides, avoid direct or indirect comparisons between two societies. Bragging about your lifestyle can generate envy and frustration. Likewise, praising the lives of locals excessively can be reductionist and disregard the social problems and challenges inherent in the region.

There aresome guidelines for sustainable tourism and information that can help you better understand the "why" behind some codes of conduct! 

Generally speaking, community-based and sustainable tourism aims to create an authentic experience, different from traditional forms of mass tourism. No longer tourists but travelers, those who are looking for an experience like Braziliando’s understand the importance of moving away from ethnocentrism

After all, we prefer to travel with an open mind and heart towards the different and the unknown!