Conexão Baré: viagem online para Amazônia

Conexão Baré: viagem online para a Amazônia

No ano passado, compartilhamos as medidas que adotamos para garantir a segurança de nossos parceiros indígenas da etnia Baré e de viajantes. Em meio à crise, co-criamos com a comunidade uma viagem online para que as pessoas pudessem conhecer sua cultura e seu cotidiano e pudéssemos continuar apoiando e valorizando os povos da Amazônia. Conheça a Conexão Baré!

Imagem da entrada da comunidade, sob a perspectiva de quem olha de dentro dela, com algumas árvores e o rio. Ao fundo, o pôr do sol reflete nas águas do rio.
Foto: Luísa Ferreira

Motivação

Mesmo com as viagens presenciais suspensas desde março de 2020, mantivemos o contato com os representantes da aldeia, que vinham compartilhando conosco os desafios surgidos (ou acentuados) pela pandemia. 

Além da dificuldade de acesso à alimentação e serviços de saúde, outro forte impacto foi na economia da aldeia. Com a paralisação do turismo e a diminuição da venda dos artesanatos, as famílias estavam tendo dificuldades em complementar suas rendas.

Com muita reflexão e colaboração, buscamos soluções para apoiá-los e mantermos a Braziliando em operação. Como vocês sabem, somos um negócio de impacto social que tem como missão promover transformações positivas através de experiences autênticas e responsáveis.

Dentre as várias ideias e projetos que emergiram de nossas conversas, decidimos priorizar o desenvolvimento do Community-Based Tourism (CBT) no formato online, para seguirmos apoiando a comunidade através da geração de renda e da valorização cultural. 

Desta forma, co-criamos com a comunidade a Baré Connection: uma viagem imersiva, interativa e online que conecta os viajantes da Braziliando com o povo Baré da Amazônia. 

Baré Connection

Imagem mostra um computador ao centro com a imagem de um comunitário indígena entre algumas árvores da aldeia. Ao fundo do computador há uma janela aberta exibindo as folhas das árvores.

Nesta experiência, o viajante virtual tem a possibilidade de visitar diferentes espaços da aldeia e participar de várias atividades do dia a dia local, para imergir na realidade de uma comunidade ribeirinha amazônica. 

Através dela é possível, por exemplo, descobrir sobre o processo de confecção do artesanato, se encantar com as receitas típicas de dar água na boca, conhecer a biblioteca comunitária e aprender a produzir um grafismo indígena.

Pensando em tornar a Conexão Baré mais próxima de uma experiência de viagem, o participante é teletransportado para a realidade local através de materiais de imersão cultural e conteúdos sobre a vida indígena, cuidadosamente preparados pela equipe da Braziliando junto à comunidade. 

Além disso, sendo realizada através de uma conexão ao vivo, existe a possibilidade de interações em tempo real! Os participantes podem fazer perguntas para os diferentes anfitriões que nos acompanham durante a vivência a fim de conhecer mais sobre a comunidade indígena amazônica e esse estilo de vida tão particular.

Colhendo os frutos: um ano de Conexão Baré

Após um ano realizando a vivência, percebemos que essa semente plantada na pandemia vem dando muitos frutos. A viagem online vem gerando impacto positivo tanto para os comunitários quanto para os viajantes e rompendo barreiras.

Inclusão

Procuramos tornar nossa experiência o mais acessível e inclusiva possível. Já contamos, por exemplo, com a participação de cadeirantes e de pessoas com deficiência visual e auditiva, que vêm contribuindo, através de suas sugestões, para que a vivência se torne mais adaptada. 

Além disso, lançamos o Passaporte Inclusivo buscando possibilitar que pessoas que não tenham condição de arcar com o valor sugerido possam vivenciar essa experiência autêntica e transformadora na Amazônia.

Educação

A Conexão Baré possibilita também levarmos às escolas e universidades um formato de ensino mais dinâmico e conectado com a realidade indígena, possibilitando a quebra de estereótipos e troca de conhecimentos. Já promovemos a experiência para instituições de ensino do Brasil e do exterior, como a Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, a Universidade de St. Gallen (Suíça) e a Universidade do Colorado (EUA). 

Inclusive, além de participantes de 16 estados brasileiros, tivemos viajantes de Moçambique, Alemanha, Portugal, França e diversos outros países nas experiências abertas ao público. Quando necessário, essas vivências são realizadas no formato bilíngue. Desta forma, a cultura do povo Baré está sendo disseminada por todo o globo.

Valorização

Falando em cultura, a viagem online tem contribuído para o resgate e fortalecimento cultural na comunidade. Também tem atraído cada vez mais comunitários para o turismo, sejam eles mais jovens, de mais idade, homens ou mulheres.

O pajé, por exemplo, tem compartilhado seus saberes ancestrais com os viajantes, a juventude tem se envolvido nas atividades da Uka (biblioteca da comunidade) e do artesanato, já a anciã tem apresentado seus dons culinários se comunicando inclusive no idioma indígena dos Baré, o Nheengatu.

Ao longo deste ano, foram 15 viagens online realizadas, gerando mais de R$10 mil em renda para a comunidade. Tanto o valor sugerido pela vivência, quanto o faturamento mínimo e a forma de distribuição da renda foram definidos em conjunto com a comunidade, de forma que fosse justo para todos os envolvidos. 

Transformação

O comunitário Joarlison Garrido compartilhou:

“Fazendo uma reflexão, mesmo com todos os desafios da pandemia na saúde, na educação e na economia, eu falo que o Baré estava “on”, porque surgiu a Conexão Baré. Hoje, nós trabalhamos essa iniciativa que a cada dia nos traz mais aprendizado e tem impactado na receita da própria comunidade e ajuda as famílias”. 

Ele conta que a vivência gerou mais reconhecimento para o artesanato local e causou um efeito cascata, incentivando o conhecimento dos artesãos e as vendas.

“É importante compartilhar, é possível fazer o turismo de forma virtual no meio da floresta, desenvolver, inovar e de fato concretizar a sustentabilidade para os povos que vivem na floresta.”

Nossos viajantes também compartilharam um pouco de seus sentimentos após participarem da Conexão Baré.

A Conexão Baré tem um nome realmente apropriado, pois foi uma experiência de muita conexão. […] por mais que a visita tenha sido virtual, me permitiu quase sentir o cheiro da comida e o calor do sol que vinha da comunidade.

Letícia Lopes

Uma viagem muito interessante, uma experiência inesquecível. Uma forma de conhecer outros povos, outras culturas. É interessante perceber como num local tão longínquo há tantas coisas que nos unem.

Ana Paula Pimentel

Surpreendente. Usar tecnologia com tamanha criatividade e sensibilidade foi algo encantador. Não podia imaginar o impacto que isso causaria em mim. […] Momento único.

Cristiane Barroncas

Ficou com vontade de conhecer o povo Baré e embarcar na próxima vivência? Então, preencha aqui a ficha de interesse e receba em primeira mão as informações da próxima viagem online assim que tivermos um novo embarque.

Imagem mostrando o rio, com água escura, e ao fundo a comunidade. Além de algumas construções, é possível ver algumas árvores e o céu azul.
Vista da Comunidade Nova Esperança

Diretrizes do turismo sustentável

Sustainable tourism guidelines: understand them!

Quite often, when we go on a trip, we respect a regulation without really understanding its origin and the reasons for its existence. Some rules may seem trivial, yet they are the responsible for guaranteeing the respect and the sustainabilitythat have long been under threat. These precautions are even more important when visiting traditional communities, like the indigenous and riverside that welcomes Braziliando’s travelersCheck below 7 guidelines for sustainable tourism , explained and dissected, so that they will not be flouted again!

1. Do not interact with wild animals 🐍🐊🦥

For a trip to be sustainable, it is necessary that it can be reproduced over time without affecting the ecosystem in which it is done. A responsible trip requires the responsibility of the tour operator, who must not involve the traveler in activities that are harmful to nature, and also of the traveler, who must refrain from touching and feeding animals, for example.

2. Do value the local production 🇧🇷

Choose to get your travel souvenirs directly from local artisans. This way, you not only leave with a unique and special memory that has meaning to you, but also helps the community, keeping its art alive and strengthening its economy.

Handicraft from the Baré community partner of Braziliando. Picture by Nathália Segato.

3. Do not use alcohol, cigarettes and other intoxicants 🚭

Drugs can interfere with your experience and harm the community, since unconscious acts can lead to accidents and unwanted consequences. In addition, drugs can have a negative impact and a long-term effect in, generating addictions and bad habits amongst villagers.

4. Do choose longer duration journeys and travel in small groups 🛤️

It takes time to connect with people, really get to know the destination and immerse yourself in a new reality. Then, to have an authentic experience, plan your trip with enough time for a real immersion. Besides, it is preferable to travel in small groups so you can have a greater connection with other travelers and with the hosts. This attitude also helps to mitigate the negative impacts of mass tourism.

5. Do ask permission before taking photos 📸📸📸

Put yourself in the other's shoes! You would probably feel more comfortable giving your consent before being photographed and would prefer to meet the person behind the camera and know what he or she intends to do with the photo before giving your permission, right? So, in addition to always ask for permission (either for an adult or for the children's parents), take the opportunity to introduce yourself and get to know the person you want to photograph.

6. Dress yourself properly 👚

Understand how people usually dress in the destination so as not to disrespect local customs nor create barriers and conflicts. If you are venturing yourself in the forest, for example, first choose modestly over opulence. Also, have in mind that sobriety is a mark of respect and humility.

Cristiano, a resident of the community, leading travelers on a track in the forest. Photo by Nathália Segato.

7. Do respect culture and local traditions 🌚🌝

Knowing that needs and lifestyle are different, be willing to adopt the local way of life, even if this mean depriving yourself of things that are part of your society. Besides, avoid direct or indirect comparisons between two societies. Bragging about your lifestyle can generate envy and frustration. Likewise, praising the lives of locals excessively can be reductionist and disregard the social problems and challenges inherent in the region.

There aresome guidelines for sustainable tourism and information that can help you better understand the "why" behind some codes of conduct! 

Generally speaking, community-based and sustainable tourism aims to create an authentic experience, different from traditional forms of mass tourism. No longer tourists but travelers, those who are looking for an experience like Braziliando’s understand the importance of moving away from ethnocentrism

After all, we prefer to travel with an open mind and heart towards the different and the unknown!