Turismo sustentável na Amazônia: vantagens e como ir

O turismo sustentável pode trazer vários benefícios para a população local. Além da preocupação com o meio ambiente, quem viaja buscando a sustentabilidade também contribui para a geração de renda e melhoria da qualidade de vida das pessoas. Veja abaixo algumas vantagens que separamos e descubra como fazer turismo sustentável na Amazônia!

Trocas autênticas

O turismo sustentável valoriza o cotidiano, a simplicidade e a vizinhança. A cultura local é protagonista e é vivida intimamente, através da troca e da partilha. Respeitando o tempo da comunidade e criando conexões verdadeiras, o viajante participa do dia a dia local.

Almoço com a comunidade (Fotógrafa: Marcivania Melo, indígena Baré)

Na experiência Amazônia Baré, você se hospeda na casa de uma família local e vivencia por alguns dias a rotina na floresta. Você aprende com as tradições e saberes originários, prova a deliciosa culinária Baré e acompanha processos e práticas cotidianas e ancestrais.

Na Conexão Baré, os viajantes virtuais conhecem a cultura Baré através de uma plataforma de videochamada e podem interagir diretamente com os comunitários. A imersão começa dias antes do “embarque”, com diversos materiais que preparam (e, às vezes, introduzem) os participantes sobre aspectos da vida indígena.

Dividir para multiplicar

Artesanato
Artesanato da comunidade Nova Esperança (Fotógrafa: Nathália Segato)

O turismo sustentável também distribui a renda e as oportunidades. Além de beneficiar quem está diretamente envolvido com a atividade, moradores que produzem outros produtos e realizam outras práticas também podem colher os frutos do turismo.

Na vivência presencial, por exemplo, a rede de apoio é bem diversa. Comunitários que cultivam o roçado, que pescam ou que produzem artefatos advindos da floresta, também participam dos ganhos, assim como pessoas de outras comunidades, como os pilotos de lancha e outros produtores. O grupo de artesãos local se beneficia com a chegada de viajantes, através da realização de oficinas e da exposição das peças.

Mantendo a floresta em pé

A preocupação ambiental também é uma característica do turismo sustentável. Sendo assim, o lixo produzido na viagem e a exploração animal, que muitas vezes serve de entretenimento no turismo convencional, são fatores importantes a serem levados em conta.

Quelônios (bichos de casco) sobre a grama
Quelônios do projeto de monitoramento da biodiversidade realizado na comunidade (Fotógrafa: Tereza Taranto)

A Braziliando assumiu um compromisso com a World Animal Protection de proteção ao bem estar animal, não vendendo, oferecendo ou promovendo empreendimentos ou atividades em que os animais silvestres
são disponibilizados para o entretenimento dos turistas.

Além disso, na viagem online há uma redução da emissão de gás carbônico (já que não envolve deslocamento aéreo nem terrestre) e dos resíduos. Já na Amazônia Baré, o viajante recebe um manual com orientações de como ser mais responsável em sua vivência amazônica.

Coletividade

A sustentabilidade é uma preocupação coletiva. Portanto, estabelecer parcerias no turismo é fundamental para ampliarmos e facilitarmos o acesso aos seus benefícios. Por exemplo, nas parcerias com outras instituições e agências, é essencial que elas estejam alinhadas com o propósito da comunidade e comprometidas em ter uma atuação responsável.

Expedição “Amazoniando”, realizada em outubro de 2017.

A Braziliando tem um compromisso em gerar transformações positivas. Por isso, acreditamos que é possível quebrar estereótipos e promover, através do turismo, a mudança que queremos ver no mundo. Saiba mais sobre nossa atuação aqui.

Valorização cultural

Prosa na Casa de Farinha
Processo de produção da farinha de mandioca – Fotógrafa: Nathália Segato

O turismo sustentável evidencia a cultura local e procura contribuir para sua preservação. Logo, a comunidade deve ser protagonista e o turismo um aliado na melhoria da sua qualidade de vida.

Agora você já sabe as vantagens de praticar o turismo de forma sustentável. Embarque nas vivências da Braziliando e gere oportunidades para comunidades indígenas e ribeirinhas, valorize suas culturas e preserve o meio ambiente, através do turismo sustentável na Amazônia.

Amazônia

AMAzônia: a floresta e as mulheres indígenas

A Amazônia sobrevive a diversos processos de esquecimento e destruição. A região enfrentou diversos apagamentos — linguístico, cultural e histórico — e seus habitantes sofreram violências físicas e simbólicas que reverberam até os dias atuais. Entretanto, alguns grupos locais, como as mulheres indígenas, resistem e lutam para mudar esse cenário. Neste Dia da Amazônia e Dia Internacional das Mulheres Indígenas, a Braziliando compartilha a importância desse lugar que nos acolheu e que agora acolhe nossos viajantes, na missão de gerar outras visões de mundo e transformações positivas.

A Floresta Amazônica é a maior floresta tropical do mundo, tanto por sua extensão territorial quanto pela sua rica biodiversidade. Segundo dados do Arpa (Programa Áreas Protegidas da Amazônia), são mais de 600 tipos diferentes de habitat (terrestres e aquáticos) com cerca de 45 mil espécies de plantas e animais vertebrados. Toda essa riqueza ocupa aproximadamente 6,7 milhões de km², sendo que 60% desse total se encontra em território brasileiro. 

A importância da Amazônia é reconhecida internacionalmente e a floresta abrange cerca de 10% de toda a diversidade do planeta. Além disso, ela tem um papel fundamental para a estabilidade climática mundial, já que as intensas trocas de gases e vapor d’água que acontecem lá, fornecem serviços ambientais importantíssimos ao redor de todo o globo. É também na região que se encontra o maior rio do mundo em volume de água, o Rio Amazonas, e a maior bacia hidrográfica do planeta: a bacia amazônica. São 25 mil quilômetros de rios navegáveis!

Imagem de um rio com água escura sob um céu com muitas nuvens. No canto direito, um pedaço da floresta.
Fotógrafo: Vivek Gandhi

Algumas espécies de animais, como peixes de água doce, aves e primatas, são mais diversas na Amazônia do que em qualquer outro lugar no mundo. Quando falamos no bioma amazônico, estamos falando de 49% do território nacional (segundo o IBGE), por isso, devemos considerar que boa parte dessa biodiversidade ainda é pouco conhecida pelo ser humano.

Uma relação de troca

A floresta proporciona segurança alimentar e saúde para muitas famílias. As frutas amazônicas, por exemplo, além de auxiliarem na prevenção e cura de doenças, também oferecem nutrientes importantes. A castanha possui níveis de proteína semelhantes ao leite de vaca e a polpa de buriti possui uma das maiores quantidades de vitamina A entre todas as plantas do mundo. 

Imagem de uma mão tocando o tronco de uma árvore. Ao fundo, é possível ver as sombras de outras árvores e a luz do sol
Fotógrafa: Nathália Segato

Os povos originários fazem parte da floresta. Com um conhecimento ancestral, eles possuem um grande domínio sobre as peculiaridades do território e vêm, durante todo esse tempo, transformando positivamente a abundância e distribuição das árvores. São mais de 180 povos indígenas e outros grupos isolados vivendo neste lugar.

Mas a Amazônia também é a casa de seringueiros, quilombolas, ribeirinhos, pescadores artesanais, agricultores familiares, piaçabeiros (extrativistas da fibra da palmeira da piaçava), peconheiros (extrativistas de açaí) e muitas outras populações tradicionais. 

Ver como esses grupos aliam seus conhecimentos a seus modos de vida e contribuem para a sustentabilidade na região é transformador. Na Vivência Baré, você pode vivenciar o dia-a-dia amazônico, conhecer sobre os costumes locais, navegar pelo rio, se aventurar na mata e presenciar de perto toda a beleza e riqueza desse lugar. Atualmente, a experiência está suspensa devido à pandemia, mas você pode preencher o formulário de reserva em nosso site e receber em primeira mão as atualizações sobre a retomada das atividades presenciais quando acontecerem.


A preservação da Amazônia é importante para a biodiversidade brasileira, é uma questão de saúde pública, uma preocupação mundial, uma necessidade econômica e, principalmente, uma urgência para os povos e comunidades tradicionais.

Amazônia: substantivo feminino

Somos filhas das ribanceiras
Netas de velhas benzedeiras
Deusas da mata molhada
Temos no urucum a pele encarnada.
Lavando roupa no rio, lavadeiras
No corpo um gingado de carimbozeiras
Temos a força da onça pintada
Lutamos pela aldeia amada.

Trecho do Poema de Márcia Wayna Kambeba

Hoje, dia 5 de setembro, comemoramos também o Dia Internacional das Mulheres Indígenas. Das Icamiabas, as primeiras guerreiras brasileiras, até Cunhaporanga, a jovem indígena com mais de 2 milhões de seguidores no TikTok, as mulheres indígenas são exemplo de força, cuidado e sustentabilidade. 

Antigamente, as mulheres indígenas eram vistas como geradoras e guardiãs dos mitos e das lendas, hoje, discute-se e procuram evidenciar o papel delas na luta dos povos indígenas e na preservação da Amazônia. Com mais participação nas decisões coletivas e ocupando lugares de destaque e liderança, elas são resistência e referência para outras mulheres e para sociedade. Joenia Wapichana, a primeira mulher indígena eleita deputada federal; Kokoti Xikrin, a primeira mulher cacique do povo Xikrin; Madalena Caramuru, a primeira mulher alfabetizada no Brasil era indígena; são apenas alguns exemplos de mulheres indígenas potentes.

Imagem de duas moradoras da comunidade Baré na beira do rio, trabalhando em uma superfície de madeira com alguns utensílios.
Fotógrafa: Nathália Segato

As mulheres exercem um papel poderoso no conhecimento e no uso do patrimônio florestal não-madeireiro. Suas relações com a água, com os animais e com as plantas, demonstram um cuidado com a natureza e preocupação com sua conservação. Elas não são as “jardineiras do mundo”, mas as atividades que exercem são muito próximas do conceito de equilíbrio da relação natureza-sociedade.  

Que esta data seja lembrada e celebrada como a representação da luta para que estes corpos, territórios e espíritos não sejam mais violados e oprimidos.

Mulheres Indígenas Baré

Não poderíamos deixar de homenagear também  as mulheres indígenas de Nova Esperança, comunidade parceira da Braziliando. Além de exemplos de força e cuidado, elas nos inspiram e nos ensinam constantemente.

A todas as mulheres Baré nossa gratidão por esses anos de aprendizado e colaboração. A sabedoria, determinação e alegria de vocês são transformadoras e carregam o verdadeiro significado de ser Amazônia.

Imagem de três mulheres da comunidade Baré na varanda de uma casa. Na esquerda, uma mulher segurando um bebê, no centro uma criança e à direita, uma adolescente segurando o batente de madeira azul da entrada da casa.
Fotógrafa: Amanda Magalhães

Gostou de conhecer um pouco sobre as mulheres de Nova Esperança? Você pode conhecer mais mulheres inspiradoras e toda a comunidade indígena Baré através da nossa viagem online. Leia mais sobre a Conexão Baré e saiba como participar do próximo embarque.