Amazônia

AMAzônia: a floresta e as mulheres indígenas

A Amazônia sobrevive a diversos processos de esquecimento e destruição. A região enfrentou diversos apagamentos — linguístico, cultural e histórico — e seus habitantes sofreram violências físicas e simbólicas que reverberam até os dias atuais. Entretanto, alguns grupos locais, como as mulheres indígenas, resistem e lutam para mudar esse cenário. Neste Dia da Amazônia e Dia Internacional das Mulheres Indígenas, a Braziliando compartilha a importância desse lugar que nos acolheu e que agora acolhe nossos viajantes, na missão de gerar outras visões de mundo e transformações positivas.

A Floresta Amazônica é a maior floresta tropical do mundo, tanto por sua extensão territorial quanto pela sua rica biodiversidade. Segundo dados do Arpa (Programa Áreas Protegidas da Amazônia), são mais de 600 tipos diferentes de habitat (terrestres e aquáticos) com cerca de 45 mil espécies de plantas e animais vertebrados. Toda essa riqueza ocupa aproximadamente 6,7 milhões de km², sendo que 60% desse total se encontra em território brasileiro. 

A importância da Amazônia é reconhecida internacionalmente e a floresta abrange cerca de 10% de toda a diversidade do planeta. Além disso, ela tem um papel fundamental para a estabilidade climática mundial, já que as intensas trocas de gases e vapor d’água que acontecem lá, fornecem serviços ambientais importantíssimos ao redor de todo o globo. É também na região que se encontra o maior rio do mundo em volume de água, o Rio Amazonas, e a maior bacia hidrográfica do planeta: a bacia amazônica. São 25 mil quilômetros de rios navegáveis!

Imagem de um rio com água escura sob um céu com muitas nuvens. No canto direito, um pedaço da floresta.
Fotógrafo: Vivek Gandhi

Algumas espécies de animais, como peixes de água doce, aves e primatas, são mais diversas na Amazônia do que em qualquer outro lugar no mundo. Quando falamos no bioma amazônico, estamos falando de 49% do território nacional (segundo o IBGE), por isso, devemos considerar que boa parte dessa biodiversidade ainda é pouco conhecida pelo ser humano.

Uma relação de troca

A floresta proporciona segurança alimentar e saúde para muitas famílias. As frutas amazônicas, por exemplo, além de auxiliarem na prevenção e cura de doenças, também oferecem nutrientes importantes. A castanha possui níveis de proteína semelhantes ao leite de vaca e a polpa de buriti possui uma das maiores quantidades de vitamina A entre todas as plantas do mundo. 

Imagem de uma mão tocando o tronco de uma árvore. Ao fundo, é possível ver as sombras de outras árvores e a luz do sol
Fotógrafa: Nathália Segato

Os povos originários fazem parte da floresta. Com um conhecimento ancestral, eles possuem um grande domínio sobre as peculiaridades do território e vêm, durante todo esse tempo, transformando positivamente a abundância e distribuição das árvores. São mais de 180 povos indígenas e outros grupos isolados vivendo neste lugar.

Mas a Amazônia também é a casa de seringueiros, quilombolas, ribeirinhos, pescadores artesanais, agricultores familiares, piaçabeiros (extrativistas da fibra da palmeira da piaçava), peconheiros (extrativistas de açaí) e muitas outras populações tradicionais. 

Ver como esses grupos aliam seus conhecimentos a seus modos de vida e contribuem para a sustentabilidade na região é transformador. Na Vivência Baré, você pode vivenciar o dia-a-dia amazônico, conhecer sobre os costumes locais, navegar pelo rio, se aventurar na mata e presenciar de perto toda a beleza e riqueza desse lugar. Atualmente, a experiência está suspensa devido à pandemia, mas você pode preencher o formulário de reserva em nosso site e receber em primeira mão as atualizações sobre a retomada das atividades presenciais quando acontecerem.


A preservação da Amazônia é importante para a biodiversidade brasileira, é uma questão de saúde pública, uma preocupação mundial, uma necessidade econômica e, principalmente, uma urgência para os povos e comunidades tradicionais.

Amazônia: substantivo feminino

Somos filhas das ribanceiras
Netas de velhas benzedeiras
Deusas da mata molhada
Temos no urucum a pele encarnada.
Lavando roupa no rio, lavadeiras
No corpo um gingado de carimbozeiras
Temos a força da onça pintada
Lutamos pela aldeia amada.

Trecho do Poema de Márcia Wayna Kambeba

Hoje, dia 5 de setembro, comemoramos também o Dia Internacional das Mulheres Indígenas. Das Icamiabas, as primeiras guerreiras brasileiras, até Cunhaporanga, a jovem indígena com mais de 2 milhões de seguidores no TikTok, as mulheres indígenas são exemplo de força, cuidado e sustentabilidade. 

Antigamente, as mulheres indígenas eram vistas como geradoras e guardiãs dos mitos e das lendas, hoje, discute-se e procuram evidenciar o papel delas na luta dos povos indígenas e na preservação da Amazônia. Com mais participação nas decisões coletivas e ocupando lugares de destaque e liderança, elas são resistência e referência para outras mulheres e para sociedade. Joenia Wapichana, a primeira mulher indígena eleita deputada federal; Kokoti Xikrin, a primeira mulher cacique do povo Xikrin; Madalena Caramuru, a primeira mulher alfabetizada no Brasil era indígena; são apenas alguns exemplos de mulheres indígenas potentes.

Imagem de duas moradoras da comunidade Baré na beira do rio, trabalhando em uma superfície de madeira com alguns utensílios.
Fotógrafa: Nathália Segato

As mulheres exercem um papel poderoso no conhecimento e no uso do patrimônio florestal não-madeireiro. Suas relações com a água, com os animais e com as plantas, demonstram um cuidado com a natureza e preocupação com sua conservação. Elas não são as “jardineiras do mundo”, mas as atividades que exercem são muito próximas do conceito de equilíbrio da relação natureza-sociedade.  

Que esta data seja lembrada e celebrada como a representação da luta para que estes corpos, territórios e espíritos não sejam mais violados e oprimidos.

Mulheres Indígenas Baré

Não poderíamos deixar de homenagear também  as mulheres indígenas de Nova Esperança, comunidade parceira da Braziliando. Além de exemplos de força e cuidado, elas nos inspiram e nos ensinam constantemente.

A todas as mulheres Baré nossa gratidão por esses anos de aprendizado e colaboração. A sabedoria, determinação e alegria de vocês são transformadoras e carregam o verdadeiro significado de ser Amazônia.

Imagem de três mulheres da comunidade Baré na varanda de uma casa. Na esquerda, uma mulher segurando um bebê, no centro uma criança e à direita, uma adolescente segurando o batente de madeira azul da entrada da casa.
Fotógrafa: Amanda Magalhães

Gostou de conhecer um pouco sobre as mulheres de Nova Esperança? Você pode conhecer mais mulheres inspiradoras e toda a comunidade indígena Baré através da nossa viagem online. Leia mais sobre a Conexão Baré e saiba como participar do próximo embarque.

Conexão Baré: viagem online para Amazônia

Conexão Baré: viagem online para a Amazônia

No ano passado, compartilhamos as medidas que adotamos para garantir a segurança de nossos parceiros indígenas da etnia Baré e de viajantes. Em meio à crise, co-criamos com a comunidade uma viagem online para que as pessoas pudessem conhecer sua cultura e seu cotidiano e pudéssemos continuar apoiando e valorizando os povos da Amazônia. Conheça a Conexão Baré!

Imagem da entrada da comunidade, sob a perspectiva de quem olha de dentro dela, com algumas árvores e o rio. Ao fundo, o pôr do sol reflete nas águas do rio.
Foto: Luísa Ferreira

Motivação

Mesmo com as viagens presenciais suspensas desde março de 2020, mantivemos o contato com os representantes da aldeia, que vinham compartilhando conosco os desafios surgidos (ou acentuados) pela pandemia. 

Além da dificuldade de acesso à alimentação e serviços de saúde, outro forte impacto foi na economia da aldeia. Com a paralisação do turismo e a diminuição da venda dos artesanatos, as famílias estavam tendo dificuldades em complementar suas rendas.

Com muita reflexão e colaboração, buscamos soluções para apoiá-los e mantermos a Braziliando em operação. Como vocês sabem, somos um negócio de impacto social que tem como missão promover transformações positivas através de experiências autênticas e responsáveis.

Dentre as várias ideias e projetos que emergiram de nossas conversas, decidimos priorizar o desenvolvimento do Turismo de Base Comunitária (TBC) no formato online, para seguirmos apoiando a comunidade através da geração de renda e da valorização cultural. 

Desta forma, co-criamos com a comunidade a Conexão Baré: uma viagem imersiva, interativa e online que conecta os viajantes da Braziliando com o povo Baré da Amazônia. 

Conexão Baré

Imagem mostra um computador ao centro com a imagem de um comunitário indígena entre algumas árvores da aldeia. Ao fundo do computador há uma janela aberta exibindo as folhas das árvores.

Nesta experiência, o viajante virtual tem a possibilidade de visitar diferentes espaços da aldeia e participar de várias atividades do dia a dia local, para imergir na realidade de uma comunidade ribeirinha amazônica. 

Através dela é possível, por exemplo, descobrir sobre o processo de confecção do artesanato, se encantar com as receitas típicas de dar água na boca, conhecer a biblioteca comunitária e aprender a produzir um grafismo indígena.

Pensando em tornar a Conexão Baré mais próxima de uma experiência de viagem, o participante é teletransportado para a realidade local através de materiais de imersão cultural e conteúdos sobre a vida indígena, cuidadosamente preparados pela equipe da Braziliando junto à comunidade. 

Além disso, sendo realizada através de uma conexão ao vivo, existe a possibilidade de interações em tempo real! Os participantes podem fazer perguntas para os diferentes anfitriões que nos acompanham durante a vivência a fim de conhecer mais sobre a comunidade indígena amazônica e esse estilo de vida tão particular.

Colhendo os frutos: um ano de Conexão Baré

Após um ano realizando a vivência, percebemos que essa semente plantada na pandemia vem dando muitos frutos. A viagem online vem gerando impacto positivo tanto para os comunitários quanto para os viajantes e rompendo barreiras.

Inclusão

Procuramos tornar nossa experiência o mais acessível e inclusiva possível. Já contamos, por exemplo, com a participação de cadeirantes e de pessoas com deficiência visual e auditiva, que vêm contribuindo, através de suas sugestões, para que a vivência se torne mais adaptada. 

Além disso, lançamos o Passaporte Inclusivo buscando possibilitar que pessoas que não tenham condição de arcar com o valor sugerido possam vivenciar essa experiência autêntica e transformadora na Amazônia.

Educação

A Conexão Baré possibilita também levarmos às escolas e universidades um formato de ensino mais dinâmico e conectado com a realidade indígena, possibilitando a quebra de estereótipos e troca de conhecimentos. Já promovemos a experiência para instituições de ensino do Brasil e do exterior, como a Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade, a Universidade de St. Gallen (Suíça) e a Universidade do Colorado (EUA). 

Inclusive, além de participantes de 16 estados brasileiros, tivemos viajantes de Moçambique, Alemanha, Portugal, França e diversos outros países nas experiências abertas ao público. Quando necessário, essas vivências são realizadas no formato bilíngue. Desta forma, a cultura do povo Baré está sendo disseminada por todo o globo.

Valorização

Falando em cultura, a viagem online tem contribuído para o resgate e fortalecimento cultural na comunidade. Também tem atraído cada vez mais comunitários para o turismo, sejam eles mais jovens, de mais idade, homens ou mulheres.

O pajé, por exemplo, tem compartilhado seus saberes ancestrais com os viajantes, a juventude tem se envolvido nas atividades da Uka (biblioteca da comunidade) e do artesanato, já a anciã tem apresentado seus dons culinários se comunicando inclusive no idioma indígena dos Baré, o Nheengatu.

Ao longo deste ano, foram 15 viagens online realizadas, gerando mais de R$10 mil em renda para a comunidade. Tanto o valor sugerido pela vivência, quanto o faturamento mínimo e a forma de distribuição da renda foram definidos em conjunto com a comunidade, de forma que fosse justo para todos os envolvidos. 

Transformação

O comunitário Joarlison Garrido compartilhou:

“Fazendo uma reflexão, mesmo com todos os desafios da pandemia na saúde, na educação e na economia, eu falo que o Baré estava “on”, porque surgiu a Conexão Baré. Hoje, nós trabalhamos essa iniciativa que a cada dia nos traz mais aprendizado e tem impactado na receita da própria comunidade e ajuda as famílias”. 

Ele conta que a vivência gerou mais reconhecimento para o artesanato local e causou um efeito cascata, incentivando o conhecimento dos artesãos e as vendas.

“É importante compartilhar, é possível fazer o turismo de forma virtual no meio da floresta, desenvolver, inovar e de fato concretizar a sustentabilidade para os povos que vivem na floresta.”

Nossos viajantes também compartilharam um pouco de seus sentimentos após participarem da Conexão Baré.

A Conexão Baré tem um nome realmente apropriado, pois foi uma experiência de muita conexão. […] por mais que a visita tenha sido virtual, me permitiu quase sentir o cheiro da comida e o calor do sol que vinha da comunidade.

Letícia Lopes

Uma viagem muito interessante, uma experiência inesquecível. Uma forma de conhecer outros povos, outras culturas. É interessante perceber como num local tão longínquo há tantas coisas que nos unem.

Ana Paula Pimentel

Surpreendente. Usar tecnologia com tamanha criatividade e sensibilidade foi algo encantador. Não podia imaginar o impacto que isso causaria em mim. […] Momento único.

Cristiane Barroncas

Ficou com vontade de conhecer o povo Baré e embarcar na próxima vivência? Então, preencha aqui a ficha de interesse e receba em primeira mão as informações da próxima viagem online assim que tivermos um novo embarque.

Imagem mostrando o rio, com água escura, e ao fundo a comunidade. Além de algumas construções, é possível ver algumas árvores e o céu azul.
Vista da Comunidade Nova Esperança

Indígenas LGBTQIA+

Por uma luta mais diversa: indígenas LGBTQIA+

Amor é Amor

Indígenas LGBTQIA+ vivem uma dupla exclusão e, muitas vezes, são invisibilizados pela sociedade. Mas estão ocupando as universidades, os museus, a indústria da música e diversos outros espaços em busca de respeito e reconhecimento.


Semana do Orgulho LGBTQIA+ na BRDO

Na última segunda, dia 28 de junho, foi comemorado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. A Braziliando continua com sua programação dedicada à temática, buscando contribuir com a valorização da diversidade e promover diálogos inclusivos. Você pode conferir outras ações clicando aqui e conhecer o significado da sigla aqui.

A comunidade LGBTQIA+ luta coletivamente em busca dos mesmos direitos: o direito de amar e de ser quem se é. Mas existem outras demandas dentro da comunidade, igualmente urgentes e necessárias: mulheres que também lutam por igualdade de gênero, pessoas com deficiência que lutam por inclusão e pessoas negras e indígenas que também lutam pelo fim do racismo.

Essas questões são somadas à LGBTfobia e aumentam o sentimento de insegurança e a exclusão dessas pessoas na sociedade. Por isso, precisamos enxergar a imensa diversidade de realidades e pessoas que compõem a comunidade para uma luta realmente coletiva e plural, onde as individualidades de cada pessoa sejam respeitadas e celebradas.


Vamos falar sobre indígenas LGBTQIA+?

Para conhecermos um pouco destas outras lutas dentro do movimento, hoje falaremos sobre indígenas LGBTQIA+. Você conhece indígenas da comunidade? Você sabia que o primeiro caso registrado de homofobia brasileiro foi contra um indígena? Já pensou em como a pandemia afetou suas vidas?

Tibira

Sob o pretexto de “purificar a Terra do abominável pecado da sodomia”, o indígena Tibira foi o primeiro caso registrado de morte por homofobia no Brasil. Em 1614, o religioso francês Yves d’Évreux ordenou a prisão, tortura e execução de Tibira do Maranhão, que pertencia a etnia Tupinambá. Os indígenas usam o termo “tibira” para se referirem a homens homossexuais. 

Aos pés do antigo Forte de São Luís (MA), Tibira foi amarrado pela cintura à boca de um canhão e teve seu corpo destroçado. A crueldade de seu assassinato tinha o objetivo de servir de exemplo para quem estivesse presente, já que líderes de outras etnias indígenas foram convocados para assistirem sua execução, e de eternizar a punição, no livro “Histórias das Coisas Mais Memoráveis Acontecidas no Maranhão nos Anos de 1613-1614”.

Quem resgatou esta história e, hoje, luta para que ela ganhe mais visibilidade, foi o sociólogo, antropólogo e ativista do movimento LGBTQIA+, Luiz Mott. Em 2014, Mott publicou “São Tibira do Maranhão — Índio Gay Mártir” onde relata e contextualiza o caso, denunciando a imposição cultural dos colonizadores aos povos originários. Outro pesquisador que também aborda as consequências dessa imposição, é o antropólogo Estevão Fernandes em seu livro “Existe Índio Gay?: A Colonização das Sexualidades Indígenas no Brasil”.

A luta de jovens indígenas LGBTQIA+

A diversidade indígena é muito maior do que imaginamos: são mais de 800 mil pessoas em todo país, de 305 diferentes etnias e falando 274 línguas. Somada a esta riqueza cultural, existe uma infinidade de corpos, vivências e identidades dentro deste grupo.

A juventude indígena vem buscado incluir na discussão as pautas de gênero e sexualidade, mesclando com as demandas históricas de demarcação de terras e educação. O objetivo é ampliar a rede de proteção e apoio, trazendo indígenas LGBTQIA+ para dentro do movimento e pessoas não-indígenas integrantes da comunidade, como aliadas na luta indígena.

Unindo cinco etnias e jovens de sete estados, o Coletivo Tibira surgiu para afirmar a existência de LGBTQIA+ indígenas nas aldeias e nas cidades. O objetivo é criar um espaço seguro de discussão e acolhimento, orientando jovens indígenas LGBTQIA+ e fortalecendo o movimento.

A discriminação pode acontecer dentro das próprias aldeias e, em muitos casos, falta representatividade. E quando vão para centros urbanos — cursar uma universidade, por exemplo — também são alvos de preconceito. Tanaíra Silva, uma das criadoras do coletivo, defende que “os indígenas que vivem no contexto urbano são atravessados por uma lógica não indígena, somos transpassados por racismo e desqualificação, isso gera uma enorme dificuldade de se inserir”. 

Pandemia

De acordo com um estudo feito pelo coletivo VoteLGBT e pela Box1824, um escritório de cultura e inovação, sobre os impactos da pandemia na população LGBT+ brasileira, a população indígena está entre os grupos mais vulneráveis em relação à COVID-19. O estudo contou com a participação de 9 mil pessoas de todo Brasil e analisou os impactos na saúde emocional e na falta de fonte de renda, por exemplo.

Outro dado preocupante apontado pela pesquisa é que a taxa de desemprego entre pessoas LGBTQIA+ foi quase o dobro da média nacional registrada pelo IBGE, no primeiro trimestre deste ano. Cerca de 24% das pessoas entrevistadas perderam o emprego durante a pandemia.

O diagnóstico indica algumas possíveis ações para transformar essa realidade. Entre as estratégias, estão o fortalecimento das redes de apoio e a priorização de profissionais LGBT+ para trabalhos e oportunidades. Você também pode conhecer e ajudar alguns projetos aqui.

Indígenas LGBTQIA+ para conhecer

A imagem estereotipada de pessoas indígenas vêm se contrapondo às muitas personalidades indígenas atuais que usam sua voz para trazer mais visibilidade às suas lutas. Seja na arte, na música, na educação, na criação de conteúdo, podemos encontrar pessoas que estão sendo resistência e ocupando lugares muito importantes. Agora, vamos conhecer indígenas LGBTQIA+ que estão se destacando no cenário nacional.

Indígena LGBTQIA+: Uýra, por Hick Duarte
Artista indígena, bióloga e educadora. Criada por Emerson Pontes, Uýra consegue unir as lutas LGBTQIA+ e indígena ao debate da conservação da natureza. Atualmente, participa de uma exposição no Museu de Arte do Rio (MAR) com a performance fotográfica intitulada “A Última Floresta”, onde denuncia o desmatamento e o desaparecimento de espécies botânicas. Emerson defende “sou indígena mesmo habitando a cidade e a contemporaneidade”.

Foto: Hick Duarte

Indígena LGBTQIA+: Yacunã e seu desenho ao fundo
Yacunã é artista visual e uma das principais lideranças em defesa da causa indígena LGBTQIA+. A ativista, da etnia Tuxá, tem um extenso portfólio: foi uma das artistas da exposição “Véxoa: nós sabemos”, na Pinacoteca; também participou da exposição coletiva e virtual “Amar, verbo transitivo” e da exposição virtual “Um outro céu”. Através de ilustrações, colagens e desenhos, Yacunã começou a divulgar seu trabalho em suas redes sociais em 2019, falando sobre espiritualidade, memória e sabedoria das anciãs de seu povo.

Foto: Divulgação/Instagram @yacunatuxa

Indígena LGBTQIA+: Victor Reiz com folhas ao fundo
Victor Reiz, ou INDIO, é diretor criativo, fotógrafo e designer. Já trabalhou em diversas produções de projetos audiovisuais e com nomes importantes para a comunidade LGBTQIA+, como a drag Gloria Groove (A Caminhada e Bonekinha), Iza (Gueto e Let Me Be The One) e Gaby Amarantos (Vênus em Escorpião). Victor também é um dos responsáveis pelo Coletivo Tibira.

Foto: Divulgação/Instagram @victorreiz

Indígena LGBTQIA+: Laís Eduarda Tupinambá por Rayhata
Laís Eduarda Tupinambá é ativista dos direitos das mulheres indígenas e estudante de Humanidades na UFSB. Do povo Tupinambá de Olivença, Laís atua na gestão da Rede pelas Mulheres Indígenas, projeto que busca melhorar a realidade de mulheres indígenas do Nordeste, e é colaboradora no Projeto Papo de Índio, canal que discute gênero, diversidade e sexualidade indígena.

Foto: Rayhata

Indígena LGBTQIA+: Katú Mirim por Rodolfo Magalhães
Katú é atriz, rapper e fundadora do portal Visibilidade Indígena. Através das redes sociais, Katú Mirim conta sua jornada em busca de si mesma e suas raízes. Filha de aldeia e quilombo, resistência indígena na periferia, suas músicas falam de sua vida, da retomada de identidade, memória, racismo, gênero, espiritualidade e do todo que a faz ser quem é. Em 2021, criou a tag #Indigenasjobs com o intuito de promover uma ponte entre indígenas e o mercado de trabalho.

Foto: Rodolfo Magalhães

Estas pessoas são apenas alguns exemplos de indígenas LGBTQIA+ que estão ocupando diversos espaços e levando ambas as pautas para sociedade através de seus trabalhos. São pessoas que lutam diariamente contra o preconceito e que ajudam a construir uma sociedade mais diversa e inclusiva. A população indígena faz parte da história do Brasil e hoje você descobriu que faz parte da história do movimento LGBTQIA+ também.  


Tem interesse em se conectar com a cultura indígena? Conhecer suas histórias, sua gastronomia e artesanato? Conheça os indígenas Baré de uma forma imersiva, interativa e online. Vamos continuar apoiando comunidades tradicionais, através da valorização cultural e da geração de renda.

Os indígenas Baré na quarentena

Queridos amigos e parceiros da Braziliando, esperamos que vocês e seus entes queridos estejam bem. Muitos de vocês vêm nos perguntando como está a situação dos nossos parceiros indígenas Baré na quarentena e estamos aqui para dar notícias! 

A Suspensão das Viagens da Braziliando

Desde o início dessa pandemia, temos estado em contato com os representantes da aldeia e, mesmo antes do anúncio das novas medidas de contenção do coronavírus no Brasil, preferimos suspender nossas atividades. Na Braziliando, buscamos promover transformações positivas através de experiências de viagem autênticas e responsáveis e não queremos colocar ninguém em risco de contaminação, nem os viajantes nem a comunidade indígena.

Ainda que os Baré sejam um povo forte e corajoso 💪, não é menos verdade que certas doenças, como o Covid-19, podem deixar os indígenas mais vulneráveis, especialmente quando os hospitais mais próximos, os de Manaus, estão distantes e atualmente superlotados. Então, já há algum tempo, pausamos nossa experiência de turismo sustentável na Amazônia, esperando retomar em breve nossas imersões na querida floresta amazônica.

Viajante Amanda na comunidade Nova Esperança

Os Desafios da Comunidade na Quarentena

Foi um alívio ouvir do José, o cacique e líder comunitário, que ninguém na comunidade foi afetado pela doença. Felizmente, eles estão tomando muitas precauções e buscando respeitar as medidas de contenção do Covid-19.

Na floresta, onde a vida comunitária é essencial, o confinamento é bastante desafiador. José compartilhou que a vida dos indígenas Baré na quarentena mudou: eles que costumavam viver juntos, brincar juntos, trabalhar juntos, estão tendo dificuldade de manter essa união com o isolamento social.

Embora seja possível sobreviver da caça e da pesca, Joarlison, filho do José e vice-líder da comunidade, compartilhou que alguns alimentos e produtos de higiene básicos, como pasta de dente, sabão, arroz, feijão e leite, estão em falta. 

Além disso, os habitantes temem por sua saúde uma vez que a campanha de vacinação organizada com o auxílio do governo foi suspensa. Eles compartilharam também que os médicos que costumavam comparecer uma vez por mês não estão mais visitando a comunidade e distribuindo medicamentos.

Contudo, um dos maiores desafios para indígenas Baré na quarentena talvez seja a situação econômica. O Turismo de Base Comunitária (TBC) e a venda de artesanatos, que colocaram em prática uma alternativa de atividade sustentável nas aldeias amazônicas, cessaram e as famílias não estão tendo meios de complementarem a renda.

Entrada da comunidade na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Puranga-Conquista.

Vamos Juntos Co-criar o Futuro?!

A Braziliando vem buscando formas de se reinventar nesse período de crise e de continuar apoiando a comunidade, especialmente através da geração de renda e da valorização cultural. Seguimos em constante contato com os comunitários e potenciais parceiros, buscando novas soluções, e estamos com a mente pulsando com novas ideias!

Defendemos uma gestão inclusiva da crise e queremos te convidar a fazer parte da co-construção desse futuro, cheio de possibilidades! Vamos construir juntos um novo presente?! Compartilhe com a gente suas ideias e sugestões para mantermos a Braziliando e Nova Esperança florescendo! 🌸🌺 E com muita colaboração vamos sair mais fortes desse caos!

Esperamos que esses longos momentos de reflexão que nos estão sendo oferecidos com o isolamento social sejam uma oportunidade para formar mais viajantes conscientes. Desta forma, quando essa crise finalmente acabar e pudermos viajar em segurança novamente, poderemos voltar a promover essas imersões transformadoras e o turismo sustentável será novamente um caminho para a construção de um mundo mais justo e unido.

Estamos animadíssimas para receber suas idéias e sugestões para ajudar a Braziliando e nossos parceiros na comunidade indígena de Nova Esperança! Você pode compartilhá-las aqui nos comentários ou nos mandar por e-mail ([email protected]) ou através do nosso Instagram ou Facebook.

Se cuida! 💚

Com carinho, Braziliando.